domingo, 18 de dezembro de 2011

Um momento lindo

Hoje tive um momento lindo com o meu bonequinho. Já expressei aqui a minha frustração de por vezes achar que o meu bidu é um bocado desligado das pessoas, nomeadamente da sua mamã e papá. Passa a vida a chamar Mamã, mas nunca tive a prova de que era por mim que chamava, sempre tive alguma dúvida se ele percebia que era eu ou se era uma palavra que ele ouvia várias vezes e repetia (especialmente em caso de necessidade). Por exemplo, ele nunca aponta para uma fotografia minha e diz Mamã (embora faça isso com o papá) ou coisas do género.
Mas hoje tive um momento em me senti muito babada:
Estive na casa do meu pai a almoçar e, quando me estava a vir embora, ele pegou no M. e disse, a brincar, que ficava com ele, que o M. não ia embora. E fechou a porta de casa com o bidu ao colo e comigo já na rua. O M. ficou com aquela sua carinha séria hilariante (em que faz um beicinho muito engraçado) e de repente oiço: Mamã!!!
E o meu pai abre a porta e ele com o bracinho esticado aponta o dedo para mim a sorrir, e vem logo para o colinho da sua mamã querida :)))
Fiquei tão contente :) Ele estava efectivamente a chamar por MIM. Adorei!
Foi um momento lindo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Calvin

Aqui há uns anos tive uma caturra. Era um macho. Lindo, cusco, adorava brincar com os brincos das minhas orelhas. Veio para minha casa depois de me ser negado um animal maior, como um cão ou gato (razões essas muito válidas, razões essas que hoje utilizo para eu própria não ter um animal desses quando já tenho a minha casa). Por isso veio a caturra. Já não me lembro bem como a adquiri, lembro-me vagamente de a receber de prenda, dentro de uma gaiola grande, que lhe dava espaço para se passear airosamente. Era uma caturra linda que me adorava.
Desde novinha que foi a minha mascote. Ensinei-a desde muito cedo. Tiarava-a da gaiola e andava pela casa com ela ao ombro, ou na mão, ou no braço. Era um bicho muit simpático e ligado a mim. Sempre que eu entrava em casa piava desalmadamente e andava freneticamente de uma lado para o outro no pau, e não parava até eu ir ter com ela.
O nome veio-me à cabeça facilmente, aquela crista amarelada só podia ser a versão pássaro de uma pessoa - o Calvin! do Calvin & Hobbes, os meus desenhos favoritos da altura. E assim, para risota de toda a família, entrou para a família o Calvin, a caturra.
Durante um ano foi uma alegria. Todas as noites soltava o bicho e ele andava e esvoaçava uns bocados pela sala. Chegou a ficar empoleirado no topo das cortinas e ninguém o conseguir tirar de lá. Tinha uma penugem macia, as penas pareciam ceda, e o Calvin adorava (tal como a dona) cafuné. E assim eu passava longo minutos a coçar-lhe a cabeça lol e a ver o seu ar de deleite enquanto lhe fazia isso.
Um dia o meu passarinho lindo começou a dormir no chão da gaiola em vez de dormir no poleiro. Eu não percebia bem o porquê, mas porque era inverno pensei que era essa a explicação - o fundo da gaiola devia ser mais quente. E não pensei mais nisso, na minha inocência e ignorância sobre animais e pássaros em particular.
Uma noite em que estava sozinha na sala, fui ter com ela e tirei-a para fora da gaiola. Ela estava fria, mas atribuí a isso o frio que estava naquela casa. Gelo mesmo. Tentei pô-la a passear, a voar um bocado pelo compartimento. Mas nada. Ela voltava sempre para ao pé de mim, só queria estar ao meu colo aninhada. Eu não percebia o que se passava e insistia um bocado mais. Até que desisti - ela não arredava pé, queria a minha atenção. Fiz festa, cocei-lhe a cabecita, etc. Até que, sendo já tarde para me deitar, a fui colocar na gaiola. Curiosamente ela não queria, o que era inédito. Trepava-me pelo braço. Via-se que não queria entrar ali. A certa altura tive de insistir mesmo e obrigá-la a ficar lá. Fechei a porta da gaiola. Ela lá ficou a olhar para mim até que eu desci o pano que cobria a gaiola por causa do frio.
No dia a seguir, depois das aulas da faculdade, quando voltei a casa encontrei o meu pai muito triste e chateado. Se bem me lembro foi ele que me deu a  notícia - o Calvin tinha morrido. Fiquei em estado de choque. Desci à sala e lá estava ele; como se estivesse a dormir, com o bico enfiado nas penas traseiras. Estava no fundo da gaiola. Foi mesmo um choque.
Revi várias vezes na minha cabeça o meu passaruco lindo a querer ficar no meu colo, a querer festas, a quer ficar ali comigo. Até hoje tenho a a certeza de que ele se sentia mal e sentia que estava a morrer, e por isso queria estar apenas comigo, aninhado e a morrer em paz.
Mas eu, ignorante quanto a doenças de pássaros e que se eles dormem no chão é sinal de doença, não vi o quão mal ele estava. E nessa noite incitei-o a voar e passear quando ele não queria; abandonei-o quando ele estava a morrer e não queria ir para dentro da gaiola.
Fiquei sempre com um sentimento de culpa. Abandonei o meu bichinho quando ele estava a morrer e tenho uma pena infinita que isso tenha acontecido. Se soubesse que isso estava a acontecer acho que teria ficado com ele, a dar-lhe festas e coçra a cabeça  até ele fechar finalmente os olhos.
O meu pássaro lindo... era lindo, simpático e fazia-me rir. Eu era uma dona dedicada que interagia muito com ele e ele uma passarinho lindo que só queria brincadeira e a minha atenção.
Acho que ficarei eternamente a sentir-me culpada de não ter estado com ele nos seus momentos finais mas não posso fazer muito mais senão pensar no momento perfeito:

Numa vida paralela, estou a dar-lhe colo e muitas festas. E ela morre placidamente cheia de mimos da sua dona e rodeada de muito carinho.

Um brinde ao meu passarinho lindo, o Calvin, o melhor passarinho do mundo.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Diário dos 16 meses

O M. em apenas 1 semana fez progressos enormes. De repente começou a dizer Não (naaaaa), acena que sim quando quer expressar isso (mas ainda não diz a palavra), quando lhe damos o soro fisiológico para a mão mete-o no nariz e começa a inspirar LOLLL E no outro dia começou a fazer os mesmos sons da canção do seu boneco de dormir. Muito bom! :) Ah e cada vez mais gosta de dançar.
Manias: passa a vida a ligar e desligar os candeiros de mesa.
Coisa com piada: só quer colo, de 2 em 2 minutos lol
Curiosidade: na creche já interage mais com os outros miúdos e já andou de mão levantada a dar chapadas :P

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Things i must do before i die

(não está por ordem de importância)

- criar um negócio meu (ainda no segredo dos deuses)
- aprender a fazer bijuteria
- aprender a fotografar a sério
- fazer uma exposição de fotografia
- voltar a Itália
- fazer um bolo com decoração a valer - tipo CakeDesign
- fazer uma tatuagem
- escrever artigos para uma revista ou jornal
- escrever um livro
- dedicar-me à arte de manipulação de imagens
- fazer roupa minha
- dar algum do meu tempo a crianças orfãs a precisarem de mimos

e já me lembro de mais


domingo, 20 de novembro de 2011

Ultrapassar medos e outras coisas

Como já mencionei aqui, o meu bonequinho de quase 16 meses anda feito um homenzinho. Aproveito para dizer que para gaúdio geral já começou a dizer água (ába ou áua) e já está (táe ta). O máximo!
No entanto, continua com medo do seu arquinimigo: o medonho secador, colocado no topo de um armário branco que tenho na casa-de-banho. Sempre que ali passa aponta e se eu estou a secar o cabelo, ele quase treme e geme de medo. O olhar dele para o secador é de pura miaufa e nojo lol. Sempre me perguntei a razão deste medo, dado que o secador nunca lhe caiu em cima (credo) ou lhe fez qualquer mal.
Volta e meia tenho tentado aproximá-lo do secador, mas os sons de medo são tais que acabo por não insistir não vá traumatizar o pequeno. Insistir aos poucos é o segredo, acho eu.
Nestes últimos dias, quando ao colo, já tem olhado mais nos meus olhos, já o sinto a gozar o colinho, a sentir-se em segurança. Por isso, hoje tomei coragem e insisti um pouco mais, a ver se quebrava o medo. 
Com ele ao colo tirei o secador para baixo. Começou logo a queixar-se, tremer e olhar para a porta (deixa-me sairrrr). Saí com ele da casa-de-banho e fui dar uma volta pelo corredor. Voltei  novamente ao pé do objecto temido e desta vez pegue-lhe e aproximei-o de nós. Novo gemido. Comecei a falar baixinho, a dizer que o secador era muito lindo, assim como M., para não ter medo, muitos beijinhos no M., alguns no secador (lol). Parou com os gemidos embora tivesse um ar super desconfiado lol. Passei à parte do aliciar - comecei a mostrar-lhe os botões. Começou a achar então que talvez aquilo tivesse algum interesse, mas mal tocou no dito, novo gemido de miaufa! 
Voltei a dar nova volta pelo corredor, distrair com outras coisas, beijinhos, risotas. Nova ida ao pé do secador (sempre ao colo) :)  Desta vez já lhe tocou e mexeu nos botões um bocado. Passado uns bons segundos já estava mais entretido com o novo livro que comprei ontem e que estava ao lado, em cima do muda-fraldas. Já estava pronto para outra e penso que com menos medo do objecto. Qualquer dia já o trata por tu. É um tonto lindo o meu amor. Fiquei muito orgulhosa.

Entretanto, hoje foi mais um aniversário da minha mãe. 61 anos. Como o tempo passa. Ainda me lembro dela com 36 anos (quase a mesma idade que eu tenho...), linda, cheia de energia, cheia de desafios, cheia de garra. Ainda a vejo assim com essas características. Ela é que começa a não se ver. Volta e meia já usa a palavra velha. Como é possível. De todo. Mesmo! E não nos vamos esquecer que 60 anos agora não são 60 anos da geração dos meus avós, em que aos 50 anos as mulheres já eram matronas sem piada nenhuma. Pergunto-me se, tal como eu, se sente com 10 anos menos. Se acordou hoje e pensou - caramba tenho 61 anos! como é que vim cá parar. Espero que a vida não lhe pese muito, que os problemas não lhe tirem o sono. Porque tudo melhora, só pode.

Pergunto-me, quando tiver 61 anos, onde estarei. Como estarei.

Tem uma boa noite querido diário.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Steve Jobs...


... morreu. Mais um homem que ficará na nossa História.

"O nosso tempo é limitado, por isso não o percamos nas vidas dos outros. Não fiquemos encurralados em dogmas, isso é viver com os resultados do pensamento de outras pessoas. Não deixem que o ruído das opiniões dos outros torne a nossa voz interior inaudível. E acima de tudo, tenham a coragem para seguir o vosso coração e a vossa intuição. De alguma forma, eles sabem aquilo em que verdadeiramente nos queremos tornar. Tudo o resto é secundário. "
Steve Jobs

sábado, 1 de outubro de 2011

Especial noite de aniversário

São 2h30 da manhã do dia 1 de Outubro. O meu aniversário já passou. O dia foi longo. A noite também. O m. deitou-se mais tarde e mostrou as gracinhas novas a toda a gente: o encaixar perfeito dos sólidos geométricos na casinha com as formas recortadas e depois as palminhas que bate a si próprio e o sorriso de orelha a orelha quando todos reconhecem a façanha e batem palmas também LOL; todos se riem com os passinhos meio bêbados que já vai dando. É uma alegria! Esteve de pijama essa parte toda, o que o faz parecer ainda mais um bonequinho animado. Não sei se da excitação ou do calor, ou de ambos, não dormiu nada grande parte da noite. Sempre a dar voltas na cama, a ir falando, choramingando. O boneco musical (e que se ilumina) tem estado sempre a ser tocado por ele. Não percebo o que se passa e fico às claras também.
A certa altura decido ir lá. Ver se está quente, ver apenas.
Ele vê-me e levanta-se silenciosamente. Não está agitado nem a chorar. Simplesmente está acordado. Com uma insónia tal como a mãe :)  Lá levanta os bracinhos para um colinho. Embora eu saiba que não o devo habituar a colo sempre que vamos lá à noite, não resisto a pegar-lhe - o meu grandão pequeno, já deve pesar 10kg seguramente... Não fico na posição mais confortável porque de facto está muito pesado, mas ele por outro lado está muito bem lol. Aninha-se várias vezes para se encaixar melhor. Acaba por ficar no colo com a cabecita apoiada no meu ombro, abraçado a mim, com uma das mãozinhas a fazer-me festas no braço e a ir enrolando a manga da minha tshirt do sanguinário True Blood (eu sabia que ia conseguir dar algum uso às tshirts). Fica assim uns bons minutos. Eu falo-lhe baixinho. Sinto-o nas sete quintas por ter aquele miminho inesperado, sem ter precisado de chorar. A luz de presença está ligada desde que lhe peguei ao colo e assim, passado um bocado, deito-o de novo. Temo que comece a chorar e que a calmia tenha fim. Mas surpreendentemente não.
Fica deitado, meio adormecido, meio acordado. Consigo fazer-lhe mais umas festinhas e olhar bem aquela carinha bochechuda, aquela boquinha que tantos beicinhos faz ultimamente. É mesmo lindo o meu fofuxo. Desligo a luz de presença e saio silenciosamente para o meu quarto. Deito-me. Silêncio ainda no quarto ao lado. Fantástico!
Tento voltar a adormecer rapidamente. Não é fácil. 
Mas hoje pela primeira vez o meu pequenino dormiu até às 9h :)))

Agora são 13h, ele ainda dorme a sesta do almoço, mas deve estar quase a acordar. Tenho de me ir vestir. Hoje o meu pai faz anos e vamos almoçar à zona preferida dele :))

Está sol!

Gosto tanto quando está calorzinho :)

sábado, 10 de setembro de 2011

11 de setembro de 2001













Já não me lembro bem que horas eram. Perto da hora de almoço. Não me lembro se antes se depois. Estava no atelier do Andrea a estagiar há uns 3 ou 4 meses. A mãe dele tinha morrido uns meses antes e o arquitecto andava com comportamentos estranhos. Suores frios repentinos, mudanças de humor que incluiam pontapés em portas, olhar alucinado. Houve dias em que estava sozinha com ele e estava preparada para, ao menor sinal de loucura a sério, me levantar e sair dali. E chamar a irmã dele. Acho que se chamava Silvia.
Foi exactamente ela que lhe telefonou nesse dia. Ouvi pedaços da conversa, das respostas dele:
"A sério??... Bem feita! capitalistas do C... Ahn? caíu?? caíram??... Fogo... Não, não tenho aqui televisão, vou tentar o rádio... Depois telefono."
Desliga.
"Ana, parece que uns aviões foram contra as torres gémeas de NY. Dizem que estas caíram!"
"Como assim?"
"Caíram! 2 aviões foram contra elas."
"A sério?!! mas como é que isso é possível? Mas foi acidente?"
"Pois... isso não sei, a minha irmã não me disse. Vou ligar o rádio."
Ouvimos algumas estações, mas nada; só música.
"Ana, estou curioso. Que m... não termos televisão! Só se formos à Piazza San Babila, acho que têm lá um ecrã grande."
"Vamos!!"
E lá vamos nós, na sua mega lambreta. Quando lá chegamos algumas pessoas estão a olhar para o ecrã. Só se vêm as torres em chamas, fumo, e imagens repetidas dos aviões a embater nas torres. Não parecia real. E se ao início pusemos a hipótese de acidente, depressa chegámos à conclusão que não era. Lembro-me de ter notado que pouca gente estava a ver essas notícias. As pessoas circulavam pela praça, pela cidade. A sua vida não tinha sido afectada directamente e, apesar da tragédia dos outros, a nossa vida continua. Lembro-me de isso me ter passado pela cabeça por uns milésimos de segundos. 
Voltei ao trabalho e quando mais tarde cheguei à residência então tive o impacto daquilo tudo. A malta toda da residência estava reunida na sala "de estar" com a única televisão do sítio. Uns sentados, a maioria em pé (só havia 2 sofás para umas 100 pessoas). Todos falavam e comentavam, elaboravam-se teorias, contavam o que as notícias tinham vindo a dizer ao longo do dia. Eu nem podia acreditar que tinha continuado a trabalhar calmamente enquanto aquilo se desenrolava. 
Infelizmente todos continuamos calmamente nas nossas vidas enquanto milhares de pessoas são mortas todos os dias em guerras, em todo o mundo.
Os dias seguintes foram dedicados à tragédia do 11 de Setembro. Vivia-se e respirava-se o assunto. Começava a falar-se igualmente em possíveis ataques a outros países, entre os quais Itália e particularmente a capital, Milão. Pessoas de aspecto árabe eram olhadas de lado e com medo. 
Lembro-me de um episódio no metro. Eram 18h e estava apinhado; eu ia para "casa". Um homem escuro de turbante tentava passar por entre as pessoas, apertadas como sardinhas em lata. Tinha nas mãos um saco branco enorme que passou por cima da cabeça das pessoas. Lembro-me do silêncio enquanto ele passava. As pessoas a olharem para ele muito desconfiadas; a respiração suspensa. Quando finalmente ele atravessou a carrugem e mais tarde saiu, quase se ouviu um suspiro colectivo de alívio. Eu pensei: "se de facto existe alguma entidade divina, que não permita que eu morra aqui sozinha e longe da minha família".
Uns 10 dias depois, um avião (pequeno) embateu num dos edifícios principais da zona de negócios de Milão, perto da estação central de comboios. Nesse dia tinha uma amiga de Portugal a visitar-me e durante o dia (era fim-de-semana), nas nossas passeatas, iamos ouvindo sirenes de bombeiros, polícia e muita movimentação estranha. Não percebíamos o que se passava. Ela ia embora no dia a seguir e nesse dia à noite percebi o que tinha acontecido. Só pensava: se esta cidade é atacada estou aqui sozinha.
Mas o piloto automático de defesa já estava em funcionamento. "Que aconteça o que tiver de acontecer, mas não me vai acontecer nada." No dia seguinte fui ver o edifício. Ainda tenho as fotografias que tirei nesse dia. Tinha nos andares cimeiros o recorte de um avião. Folhas de papel iam voando ainda para fora do edifício. Cá em baixo, toda a zona estava vedada, cheia de jornalistas, mas viam-se perfeitamente bocados de mobiliário de escritório por toda a parte e muito, mas muito papel branco. Parecia um manto de neve. Era impressionante.
Durante dias, semanas, a imprensa italiana acusou o governo de Berlusconi de estar a esconder quem tinha atacado o edifício. Havia várias versões, uma delas era a que um piloto se tinha suicidado. Outras diziam que tinha sido apenas um acidente com um piloto alcoolizado. Nunca percebi muito bem se tinha morrido também alguém lá dentro.
O engraçado é o modo como a mente humana funciona. Não sei se ficamos anestesiados e achamos que nada nos atinge, mas lembro-me de que apesar do ligeiro arrepio na espinha de medo pela possibilidade de alguma coisa correr mal, eu sentia que estava ali onde a acção estava a acontecer, estava no meio da História. Era, apesar de tudo, excitante. Uma aventura.

Hoje só penso que ainda bem que tudo correu bem aquela miúda, porque aventuras no meio de ataques ou de guerras não trazem felicidade a ninguém.

Hoje, por muitas razões sinto-me... Overcome:


O que eu já me ri

















Conhecem a expressão MILF, certo? Pois hoje ao ver mais um belo episódio do Family Guy dei com esta cena do bébé da família lolllll



O meu vocabulário está agora enriquecido com a expressão BILF...  

(atenção ao sentido de humor...)  :P

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A "quase" casa na ávore

A caminho do meu trabalho, num jardim, está construída uma estrutura de madeira que parece querer vir a ser uma daquelas casinhas no topo das árvores, daquelas que se vêm principalmente nos filmes. Não me parece que aquilo vá ter grandes desenvolvimentos, é apenas uma plataforma de madeira a uns 3 metros acima do chão, mas sempre que passo por lá olho curiosa para ver se ainda está na mesma. A minha imaginação fica logo a trabalhar e pergunto-me se tivesse tido uma casinha daquelas na infância como teria brincado. E com quem. E que aventuras teriamos passado. Provelmente estaria lá sozinha, consequências de filha única, a ler um belo livro de aventuras ou algum policial.
Mas lá que era giro ter estado numa... era.
:)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O riso milagroso

Não existe nada melhor do que ir buscar o nosso filho, subir as escadas até à sala onde ele deverá estar, e subitamente ouvir atrás de mim gritos de alegria e muita excitação.
Afinal o meu pequenino lindo estava numa outra sala com a educadora (era o último da turma) e tinha-me visto a passar...
O ar dele foi impagável. Sorriso de orelha a orelha, bracinhos esticados na minha direcção, muitos gritinhos e guinchos.
Que maravilha!
Mal peguei nele colocou logo a cabecita no meu ombro. Agora faz mto isso, é como se fosse um abracinho.
Ai, ai... o meu amorzinho! 
É das melhores partes do meu dia :)


domingo, 4 de setembro de 2011

Agora para rir

Ontem fui a uma festa de anos muito engraçada, cheia de gente de várias idades, várias crianças, muita conversa entre adultos, uma amiga apresentou-me o namorado novo (muito querido por sinal, espero que tudo lhes corra bem porque o amor é de facto uma coisa fenomenal e deve ser vivido por inteiro), etc, etc... Mas...
Eu juro que aperto o pescoço a quem mais, sem apelo nem agravo, me disser que estou tão magra, e coitadinha, como é que eu fiquei assim, se não como, se estou a fazer dieta, porque estou assim, etc, etc.
E aperto o pescoço igualmente a quem mais olhar para o meu pequenino e fizer o comentário pela milésima vez na sua curta vida de que "ahhh tadinho, está com sono, não é?". Ok, pronto, já percebi que aquelas pestanas de metro e meio lhe devem dar um ar meio de sono (tipo a miopia extrema da Marilyn Monroe que lhe dava aquele ar super sexy e de "saí agora da tua cama"), ou então o rapaz tem simplesmente ar de preguicite aguda. É assim, é a vida. Já o aceitei.
Mas fogo... já estou farta que depois de 50 minutos de ter terminado a sesta, me venham fazer a mesma pergunta d sempre...
E fazem-ma todo tipo de pessoas! em qualquer ocasião, conheçam-me ou não.
Bem, ao menos ele chama alguma atenção porque é super fofo... Mas dispenso o comentário de sempre.
Vá... next! :P

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Letter to God

Vi isto hoje no Facebook, é fantástico. Por isto é que acho que nem sempre a religião é uma coisa má. Não falo de instituições, mas de fé, de por vezes sentirmos que alguém, o destino ou alguma entidade, olha por nós. Pessoalmente continuo sem saber muito bem o que pensar, só sei que não quero por nada de lado. Leiam esta história, é muito gira :)

"Our 14-year-old dog Abbey died last month. The day after she passed away my 4-year-old daughter Meredith was crying and talking about how much she missed Abbey. She asked if we could write a letter to God so that when Abbey got to heaven, God would recognize her. I told her that I thought we could so, and she dictated these words: 

Dear God,
Will you please take care of my dog? She died yesterday and is with you in heaven. I miss her very much. I am happy that you let me have her as my dog even though she got sick. 
I hope you will play with her. She likes to swim and play with balls. I am sending a picture of her so when you see her you will know that she is my dog. I really miss her.
Love, Meredith

We put the letter in an envelope with a picture of Abbey and Meredith and addressed it to God/Heaven. We put our return address on it. Then Meredith pasted several stamps on the front of the envelope because she said it would take lots of stamps to get the letter all the way to heaven. That afternoon she dropped it into the letter box at the post office. A few days later, she asked if God had gotten the letter yet. I told her that I thought He had. 
Yesterday, there was a package wrapped in gold paper on our front porch addressed, 'To Meredith' in an unfamiliar hand. Meredith opened it. Inside was a book by Mr. Rogers called, 'When a Pet Dies.' Taped to the inside front cover was the letter we had written to God in its opened envelope. On the opposite page was the picture of Abbey & Meredith and this note: 

Dear Meredith,
Abbey arrived safely in heaven. Having the picture was a big help and I recognized her right away.
Abbey isn't sick anymore. Her spirit is here with me just like it stays in your heart. Abbey loved being your dog. Since we don't need our bodies in heaven, I don't have any pockets to keep your picture in so I am sending it back to you in this little book for you to keep and have something to remember Abbey by.
Thank you for the beautiful letter and thank your mother for helping you write it and sending it to me. What a wonderful mother you have. I picked her especially for you. I send my blessings every day and remember that I love you very much. By the way, I'm easy to find. I am wherever there is love. 
Love, God"

Não é comovente? :)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O que dirias a ti própria?





















O que dirias a ti própria se pudesses voltar ao ANTES de ter um filho?

Aqui estão algumas respostas interessantes:

Eu daria duas dicas:

- Quando estiveres exausta lembra-te que tudo vai melhorar
- Nunca te esqueças que para além de mãe também continuas a ser uma mulher com vários interesses, gostos, capacidades



Dia de praia...

... do meu pequeno grande amor, o meu budinha, o meu "godinho", o meu bonequinho lindo que está tão crescido, que bate palminhas, que diz Olá, que diz Adeus a abrir e fechar as mãos, que descobriu que guinchar é giro, que descobriu que se fizer grandes birras e pedinchar muito talvez o tirem do carrinho, que fica numa aflição se os outros comem e ele não, que adora fechar e abrir portas, que aponta para tudo e mais alguma coisa, que adora ver animais, que chega à noite e fica ainda mais irrequieto do que de dia, que está com 5 dentinhos e os ouvidos sempre um bocado inflamados, que nos testa a toda a hora a ver quais são as fronteiras, etc, etc, etc... :)
O que dizer... 1 ano e 24 dias.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Diário de (quase) 1 ano

M. com 11 meses e 20 dias :)) :
- Adora ficar horas em pé a brincar, com a barriga apoiada na arca pequena lá da sala. Estão vários brinquedos em cima dela e desde bater com as coisas lá, a atirar tudo para o chão, para se baixar e voltar a colocá-las em cima, tudo vale.
- Começa a querer explorar a sala a gatinhar e quando o metemos no parque desata a chorar - já tomou a gosto pelo doce cheirinho a liberdade :))
- De pé e agarrado às nossas mãos já dá uns passinhos.
- Sempre que saio da sala fica angustiado. Gosta que eu esteja presente mesmo que não me ligue nenhuma, ou seja, tem-me por garantida :P (e tem razão ahahahah). Eu diria que é o único homem no mundo que me pode tomar por garantida LOL
- Adora comer Grissinos.
- Chora sempre que o biberon do pequeno-almoço acaba.
- Não pega no biberon. Gosta que a gente lho dê enquanto fica recostado com as maõzinhas fechadas, concentrado, a gozar o mimo do biberon. Qualquer dia tenho de ver se o "desmamo" disso, para aprender a ser mais independente nisso; mas a verdade é que ele assim lembra-me qdo ainda era mais bébé e tenha pena de perder essa parte. Mas qualquer dia vai ter de ser.
- Dorme a noite toda já há 2 meses (à excepção de quando está doente) - das 20h30 às 7h. E dorme 1 a 2 sestas por dia de 1 hora. Por vezes á noite ainda acorda a chorar, nunca soube bem porquê, talvez tenha terrores nocturnos (se bem q nunca soube bem o que isso é...) ou acorda e tem saudades dos pais...
- Quando recebemos visitas que ele não conhece bem é como se passasse da noite para o dia. Passa de palrador e activo para muito quieto, calado e desconfiado. Mas não chora (só com algumas pessoas, sabe-se lá porquê).
- Continua um bébé sorridente e simpático (adora que o provoquem com cócegas e coisas assim); mas rir às gargalhadas só se fizermos por isso.
- Está constantemente a apontar com a mão para todo o lado. E, por exemplo, acontece às vezes eu estar de costas a fazer algo, ele está no berço e um brinquedo caiu ao chão, ele faz HumHum e aponta para chamar atenção e lhe darmos o que caiu :)
- Come imenso, gosta de tudo.
- Já lhe damos uma chuveirada no fim do banho, com cuidado para não se assustar. Mas já não fica tão desconfiado :)
- Continua com mais cabelo em cima, uma faixa como se fosse um moicano; e ainda penugem na testa. Dos lados tem muito menos cabelo.
- É muitoooo curioso, não lhe escapa nada. Quer ver tudo, cuscar tudo. 
- Quando lhe pergunto "onde está o papá" olha logo para a porta de entrada da casa. Mas no outro dia descobri que quando lhe pergunto "quem é" ele também olha. Deve ser porque lhe pergunto isso quando sobe alguém lá a casa e ele associa :)
- Adora os números a passar no elevador, e quer sempre tocar nos botões.
- Já não se chateia quando o visto de manhã.
- Nestes últimos 2 ou 3 meses já teve 2 otites (a última com 2 antibioticos diferentes), 1 diarreia e um fungo/assadura q não passa nas virilhas.
- Adora colinho e eu adoro dar-lhe embora as minhas costas estejam cada vez mais feitas num oito :P
- Continua com a sua veia de papagaio "Olá olá olá" LOLL
- Agora também gosta de dizer "Aiiiiiiiii..." "Aiiiiii..." , abre muito a boca e sai-lhe de mansinho um "Aiiiiiii..." muito arrastado, é super cómico :)
- Quando lhe perguntamos onde está o bébé ele aponta para a sua fotografia de quando nasceu.
- Quando perguntamos pelos sapatos ele olha para baixo, para os pés, à procura deles.
- Já o vimos bater palmas sozinho 2 vezes.

20 de julho, 2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

Momentos


Estou sentada no sofá, com o laptop no colo, e aproveito para escrever antes de me ir deitar. Estou à espera do T. que ficou retido no trabalho. 
Por isso, contrariamente ao que sucede no dia-a-dia, dei banho ao M. e enquanto o secava (ele não gosta dessa parte, também porque já estamos no fim da tarde e está cansado) cantei-lhe uma das minhas canções favoritas, o Dream a Little Dream of Me (da Mama Cass Elliot). Cantei-lhe como costumo fazer, voz mais grave e baixa, suave. O M. ouve-me e fica atento, sossega. Eu que não sei a letra toda de cor lá começo com o Na na na nana naaaaa. Mas ele não é esquisito e gosta na mesma. A casa, o prédio estão em silêncio. Não sei se os vizinhos me ouvem. São 7h30 da tarde e só me oiço a mim, naquela bela melodia. É tão bonita essa canção.
Depois dou-lhe de comer, na sua cadeirinha alta. Lá para o fim começa a choramingar. Vê que a sopa está a acabar e começa o chorinho, meio birra, meio cansaço.
Após o jantar levo-o comigo para o sofá onde o sento ao meu colo, o colinho como lhe digo. Sento-o de costas para mim, ele cruza as pernas (a sua posição favorita) e vemos o mesmo livro de sempre: o livrinho dos animais bébés - cada imagem do animal tem um pelinho que imita o pêlo original, é muito muito giro. Ele vai passando as páginas, mordendo uma aqui e outra ali, toca nas texturas, recebe os meus beijinhos nas bochechas, olha volta e meia para a TV mas o livro consegue ser ainda mais interessante, tenta alcançar o comando mas não insiste muito quando eu o impeço. 
Está cheiroso o meu bébé. Aspiro-lhe o pescocito com o meu nariz deliciado. Inspiro várias vezes e aquilo deve fazer-lhe cócegas porque lhe saiem uns risos. É tão fofinho o meu bébé!
Às 20h45 começo a dirigir-me para a caminha dele, com ele ao colo; abraço-o ternamente. O meu mimocas! Ele gosta, a certa altura já tem a cabecita pousada no meu ombro. Para segundos depois a levantar quando ouve os passos do cão da vizinha de cima. O quarto dele já está às escuras, apenas com a luz de presença ligada (que desligo mal saio). Deito-o, ligo-lhe a boneco com música, ele sorri e agarra-o logo, tenta sentar-se. Eu empurro-o gentilmente para trás, é hora de dormir. Ele vai brincando com o boneco enquanto saio. A certa altura o boneco cala-se e desliga a sua luz. Passados uns minutos é o silêncio total. Já deve estar a dormir.
Vou fazer a minha comida. Aproveito o silêncio enquanto o T. não chega.
Volto ao quarto mais tarde para descobrir o M. deitado de lado, destapado - mas não faz mal porque tem um pijama quentinho e próprio para esta época - aninhado ao canto do berço, com a cara o mais próxima das protecções laterais possível. Gosta de ficar assim, é giro. Tapo-o ligeiramente para não acordar. Não o consigo ver bem à luz do outro quarto iluminado, ao lado. Mas consigo vislumbrar aquelas bochechas mesmo bochechudas, com a boca quase a fazer beicinho de tão concentrado que está a dormir.
Volto à sala, grata por estes raros momentos de silêncio e por poder apreciar o meu menino lindo :)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Diário dos 9-10 meses


Depois de uns 8 meses em que foi o mês todo ou com otite ou com diarreias ou com tosses e espirros, o 9º mês foi fantástico! Não tive de ir uma única vez ao médico, nem acreditei LOL

Dia 1 de Junho vou à consulta dos 10 meses onde tenho carradas de dúvidas assentes já em papel hehe

Registo de coisas sobre este nono mês do M.:
- Come 2 conchas de sopa + fruta ao almoço
- 270 ml de leite ao peq. almoço
- Adora mordiscar e comer Grissinos
- Tem 4 dentinhos a nascer, um deles já está um bocadito de fora.
- Volta a usar babete no dia-a-dia pq se baba imenso (molha a camisola toda e calças se nao tiver babete)
- No chão, gira e rebola-se e arrasta-se em direcção ao que quer. Está mesmo mesmo a querer gatinhar.
- Quer trepar-nos qdo estamos sentados, quer trepar o sofá
- No berço já se põe sozinho de pé (agarrado às grades) e quer mto vir ter connosco :)
- No berço adora meter o braço por entre as grades e deixar cair o que seja, a chucha ou algum brinquedo q tenha na mão.
- De noite quando acorda a chorar já consegue procurar a chucha e metê-la á boca (mas às vezes ainda temos de ir lá)
- Quase todas as noites acorda com um ataquezito de tosse. Continua a dúvida pq tosse... será alergia?
- Já vai dizendo uns olás mto engraçados: Aiá! Aiá! :))
-Continua a matar por um colinho hehe
- Sentado connosco no sofá a actividade preferida dele é mandar tudo o q estiver à mão para o chão, para depois ficar mto contente quando nos ouve dizer "caíu!" e dp baixamo-nos para buscar o objecto e damos-lhe para ele voltar a fazer o mesmo todo contente. Acha que é um jogo.
- Durante várias semanas chorava qdo o deixava na creche, agora mal o entrego à educadora fica na boa e quase me ignora LOL
- Quando o vou buscar continua a ser uma alegria :) Mas aqui há tempos fui preterida em relação a um boneco (q devia ser mto interessante) e quase q achei q nao queria ir embora hihih
- Dorme 1h30 (2 no máximo) à hora de almoço, às vezes dorme outra hora às 17h ou 18h. Ultimamente nao tem dormido essa sesta pq está mto excitado com as suas novas capacidades de gatinhar e arrastar-se :)
- Continua com pouco cabelo dos lados e mto em cima (parece penteado à Moicano)
- Já chora menos de manhã pq agora lhe visto a camisola estando ele sentado
- Tem o hábito de cruzar sempre as pernas mal se senta :)
- Gosta que lhe façamos o "cavalinho" - com ele sentado nos nossos joelhos saltitamo-lo durante um bocado. Quando paramos ele olha para nós se agita-se para a frente e para trás numa de "continua" LOLLL.

26 de maio, 2011

terça-feira, 15 de março de 2011

Carta do bonequinho aos 7 meses e meio
















"Chamo-me M. e já sou muito grande :) Gosto imenso de palrar e sem a chucha na boca adoro experimentar sons desde "mamamamama dadadadada papapapadahhh" "ughhhgrrrrrr"iiiiiiiiiiiaaaahhhhhiii". Já consigo alcançar uns bons decibéis quando me proponho a isso. No geral gosto muito de me exprimir seja no contentamento seja no descontentamento. Choro imenso e faço beicinho quando a minha mãe me veste de manhã, e fico muito aflito quando vejo o biberon porque... sei lá... podem resolver bebê-lo eles (o meu pai e mãe que quando comem eu fico a ver.. os malvados, ainda hei-de comer o que eles comem!). :P
Agora já me sento muito bem, às vezes baloiço um bocado, mas lá consigo endireitar-me de novo. É um desafio morder os brinquedos todos e ficar sentado ao mesmo tempo. Mas lá me safo :)
Já começo a desenvolver uns tiques engraçados: adoro bater com a perna quando estou sentado no ovinho ou ao colo; quando estou na espreguiçadeira ou no ovo refastelado adoro cruzar uma perna sobre a outra. Ah e o meu passatempo favorito é tirar os sapatos! A minha mãe já começa a desistir lentamente de me colocar os sapatos LOL Mas para eu não ter frio coloca-me um segundo par de meias. Claro que já imaginam o que faço eu às meias...
Neste momento já sou um Às com a chucha; mal a vejo e zás ponho-a logo na boca. Adoro-a!!! é o meu objecto favorito.
Também acho muito giro quando a minha mãe me acena e faz adeus.´Não percebo bem o que ela quer dizer, mas é giro a mão a girar. E acho imensa piada quando ela faz cucu!! aparece e desaparece! é curioso. Umas vezes ela desaparece mesmo pela porta. Mas não ligo muito nem me chateio. Tenho ali os meus brinquedos todos ao lado e recomeço logo a brincar. Sim, eu gosto muitoooo de brincar!
E de estar de barriga para baixo a tentar gatinhar. Não consigo lá muito bem, às vezes consigo é arrastar-me para trás hehe.
Tenho imensas cócegas! Nos pés, nas costas, debaixo dos braços, na barriga, nas pernas!
Gosto muito quando a minha mae e pai me dão beijinhos no pescoço hehe E quando o meu pai sopra e faz barulhos esquisitos então é que é mesmo engraçado :D
A vida corre-me bem, gosto da escolinha, das educadoras, gosto muito de comer, brincar, dormir (não durmo é mto bem se não for num sítio calmo, ou seja, se for sair com os meus pais, mesmo no carrinho não consigo dormir, prefiro olhar para todo o lado). 
A única coisa mais chata é que ando sempre com muita tosse. Quero tempo seco, calorzinho e sol, mas ainda vou ter de esperar mais um bocadinho. :P
Até já,"

quarta-feira, 2 de março de 2011

O efeito "super-mulher"

Há dias em que as coisas não correm tão bem para as mulheres. Estamos cansadas, sentimos que que o peso do mundo (ou pelo menos do nosso pequeno mundo) recai sobre nós. Temos de pensar em tudo, fazer tudo, e não há uma horinha livre para tratarmos de nós, nem que seja fechar os olhos e respirar fundo.
Espera-se tudo das mulheres: que sejam amantes fenomenais, esposas dedicadas e sorridentes, mães extremosas e cheia de paciência, profissionais competentes e a tentar subir cada vez mais, filhas atentas e solícitas, noras simpáticas e dadas. 
Pelo caminho perde-se o ser individual, o "eu", o ser que gosta de ler, de se maquilhar, de ser vaidosa, de sair com as amigas, de ir ao cinema, ver exposições. O ser que anda sempre sorridente.
Onde é que ele anda? às vezes não sei, não tenho tempo para saber.

As mulheres não são supermulheres, mas por alguma razão que desconheço, nesta sociedade (machista)acabam sempre por o ser e nunca são reconhecidas por isso.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Buscar-te


O meu coração bate fortemente quando vou buscar o M. É a mesma sensação de quando estamos apaixonados, o que é muito engraçado. Ainda bate mais com a ansiedade de saber se está melhor sempre que ele fica constipado.
Mas até ontem ele sempre que me via sorria e pronto. Nada de mais. Houve 2 dias em que choramingou quando me viu sinal que interpretei como "ah aqui estás, vem dar-me mimos e nao te vás embora". Sol de pouca dura LOL Da maioria das vezes ele nem liga mto, o sorriso dele diz Olá, mas nada mais.
Mas ontem ele fez-me ganhar o dia. Quando fui lá (um bocado mais tarde do que o habitual e pensando q ele estaria a dormir) estava sentado, a brincar muito concentrado com os brinquedos. Como já é um menino crescido não quis dormir :)
E depois quando me viu...Ah até fiquei com a alma quentinha... Grande sorriso, a fazer "ahh dahh", e a estender os bracinhos para eu lhe pegar ao colo. Levou logo um grande abracinho e muito muitos beijinhos, enquanto soltava gritinhos de satisfação já pronto para mais brincadeira com a mamã.
Ai, ai... são estes os momentos que guardamos para sempre :)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Diário dos 6 meses










A partir de agora vou passar a escrever uma espécie de diário dos comportamentos do M. para não me esquecer, mais tarde, a que altura ele foi fazendo as coisas.

- Começou a comer sopa com carne (o que lhe anda de novo a criar alguma obstipação...)

- Quando quer coisas faz hummhuumm humm huuuummm.

- Adora fazer barulhos tipo brshhhh (e lá saiem imensos perdigotos lol, uma vez esteve o dia TODO a fazer isso)

- De barriga para baixo no tapete olha para todos os bonequinhos deste e quer agarrá-los ou metê-los à boca..

- De barriga para baixo se lhe acenamos com 1 objecto ele estica-se todo para o agarrar, as perninhas parecem começar a querer gatinhar.

- De barriga para baixo agita as pernas e levanta o rabiosque, parece dar coicezitos. (é tãoooo cómico hihi)

- No outro dia quando lhe estávamos a dar banho começou a agarrar a piloca e esmagá-la todo contente. Como quer sempre apanhar e ter algo na mão para agarrar... o que estava mais à mão era isso ahahahaha.

- Quando decide palrar diz mamamamamamamamamamam, dadadadadadadada, papapapapbabababhh

- Às vezes dá grandes suspiros lol

- Quando está ao colo não pára de olhar para todos os lados (menos para nós que o estamos a pegar ao colo)

- Gosta que cantemos para ele - sorri logo.

- Farta-se de rir quando repito "mamã".

- Quando lhe agarro as pernocas gorditas e pressiono fica com cócegas e começa a dar uma gargalhada ou outra.

- Quando está muito excitadex dá uns guinchos agudos.

- Quando está com sono vira a cara para o lado, na espreguiçadeira. É assim, para além de esfregar os olhos, que sabemos que está pronto para dormir.

- Quando está muito cansado engana à primeira vista, porque parece o contrário, que está a 1000, cheio de energia.

- Entrou na creche e teve a sua primeira bronquite e constipações. 


- Acorda várias vezes à noite porque perde a chucha.

- Já coloca muito bem a chucha na boca sozinho (mas não à noite...lol)

- Se tivermos um colar ou uma gola mais engraçada só quer mexer nisso e põe um ar muito concentrado :)

- É vidrado em telefones, telemóveis e comandos.

- ADORAAAA massagens depois do banho, fica quietinho e sorridente a gozar a massagem.

- Detesta que o vistam, protesta sempre imenso e por vezes chora muito sentido :)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O início



















Já vos falei do meu bebecas? do meu dudu? do meu biduzinho? do meu goodinho? Acho que não... e está na hora.
Ora bem: no dia 29 de Julho de 2010 às 7hoo da manhã o meu menino lindo nasceu.

Confesso que os primeiros momentos com ele foram de incredulidade: estava ali um ser que era meu filho e que tinha passado 39 semanas na minha barriga e que, sem eu saber como - embora já tivesse visto vídeos de nascimentos de crianças -, tinha saído de mim.

A minha viagem com o M. começou de um modo calmo e controlado. Eu e o T. decidimos que era altura de ter um bébé (já não íamos para novos) e assim, que nem jovens inconscientes, lá começámos os treinos. Confesso que nunca pensei olhar para o teste de gravidez e que este desse positivo logo à primeira. Tenho amigas que demoraram algum tempo até isso acontecer e sinceramente pensei que seria o meu caso. Por isso resolvi respirar fundo, gozar os treinos e não pensar muito no assunto. Provavelmente foi esse descanso todo que deu frutos tão cedo.
No dia em que fizemos o teste e este deu confirmação nem sabíamos o que dizer, só nos riamos nervosamente. Meu Deus!! Íamos ser pais. Tinhamos concebido uma criança.
Mas será que o teste estava mesmo certo? Fizemos novo teste passados 2 dias. Nova confirmação!
E com 6 semanas lá estava eu no médico para confirmação médica. Tudo óptimo: via-se um feijão com um coração a bater. Surreal!

Quando a barriga começou a crescer eu nem queria acreditar. Era incrível ver-me a mim de barriga. Nunca pensei muito em ter filhos e ver-me assim ao espelho... Nem sabia muito bem o que era ser mãe. E como seria eu como mãe? seria desprendida? ou seria mãe galinha? a vida ia mudar assim tanto?
Ainda chorei algumas vezes à noite quando comecei a ter noção da responsabilidade, da mudança radical que ia acontecer na nossa vida. Comecei a entrar em pânico. Pensei para mim própria: não estou preparada para isto! o que fui eu fazer...
Mas passados os medos iniciais o entusiasmo instalou-se e eu sentia-me uma priveligiada. Estava grávida! As pessoas olham para nós sorridentes e eu sempre gostei muito de receber atenções por causa da barriga.
Nunca percebi porque é que há mulheres que não gostam de festas na barriga. No fundo as pessoas estão a celebrar e a dar mimos no nosso bem mais precioso. É uma atitude de que sempre gostei imenso e até achei que podia ter recebido mais festas, mas penso que as pessoas têm medo de nos incomodar. Pois fica aqui registado - eu gosto! São mimos muito bem-vindos.

Numa 2ª feira à noite o M. resolveu começar a sair da sua redoma líquida e quente. Depois de uma gravidez normalíssima, saudável, sem enjoos ou peripécias, com as ansiedades normais de grávida de primeira viagem, com os pontapés deliciosos que comecei a sentir mais a partir do 6º mês, com a barriga a ser comicamente sacudida pelo espreguiçar do meu bébé, pelos tremeliques de 10 minutos do meu bidu a soluçar... uma bela noite de segunda-feira as águas romperam.
Estava sentada a ver televisão e quando me ia a levantar senti um estalo dentro da barriga. Assustei-me, não sabia o que tinha acontecido e se o bébé estava bem. Passados uns segundos, quando fiquei mesmo de pé, começo a sentir um líquido quente a escorrer-me pelas pernas. As águas tinham rompido! Não era daquelas grávidas que começam normalmente com dores, a contarem as contrações, etc, e que eventualmente lá vêem as águas rompidas. Eu comecei pelo fim - romperam-se-me as águas e só mais tarde vieram as dores.
Já tinhamos as malas feitas, mas com tanta nervoseira nem quis tomar banho e vestir algo novo. Não estava para grandes relaxamentos. Mas tive de ir ao WC fazer tudo e mais alguma coisa. A adrenalina dá para estas coisas....
Chegámos ao hospital 1h depois. Fui vista e fui colocada na "sala da dilatação", nome lindo e certamente adequado ao que aconteceu depois. Passada outra hora, e já com algumas dores semelhantes às dores chatas de período, não dilatava. Nada. Também confesso que não facilitava a vida à enfermeira de serviço. Digam-me lá quem é que gosta dos famosos "toques"?? Eu não...

Entretanto lá me deram a droga para acelarar a dilatação. As dores lá se foram sucedendo e quando já estava a começar a custar bastante deram-me a bendita epidural. Mas... os minutos iam passando e eu de alívio não tinha nada. Tinha dores fortíssimas na barriga, das contrações, mas ninguém me levava muito a sério, dado que já tinha levado epidural. O pobre do T. lá aguentou os meus palavrões e respirações muito profundas de modo a controlar as dores.
Passadas algumas horas em sofrimento (eu já pedia para me fazerem cesariana) lá chegou o meu médico. Já era de madrugada do novo dia. Para seu espanto eu tinha dilatado rapidamente e o parto ia ser daí a minutos, segundo ele verificou. Mais tarde foi-me explicado o porquê das dores imensas apesar da epidural: como a dilatação foi muito rápida com a droga, a epidural não a conseguiu acompanhar. Mas felizmente no momento em que eu fui encaminhada para a sala de partos, o efeito começou a surtir e, quando eu já estava a fazer força para o bébé nascer, tinha o corpo da cintura para baixo todo anestesiado, embora sentisse o suficiente para fazer força. Apenas não doía nada.

Tenho a dizer, dado que eu própria perguntava isto a pessoas que já tinham tido filhos, que no momento e nas horas que antecedem o parto, não sentimos medo. Simplesmente vivemos o momento, a adrenalina entra em cena e primeiro tentamos controlar as dores. E depois tentamos fazer o melhor que podemos e o que o médico diz para ver se a criança sai bem e em segurança. Nâo há muito tempo para pensar, apenas para agir; é tudo automático.

Não senti a cabeça do bébé a passar. Mas senti o corpo dele a escorregar pelo meu afora. É uma sensação incrível, diferente de tudo o que já senti. Depois foi tudo um blur. Passou muito depressa. De repente o bébé estava ao meu colo, não lhe via a cara, só a cabeça, o corpo todo branco e enrugado (como se tivesse estado, e esteve, semanas em água) e a cabeça toda vermelha (do esforço). Mal começava assimilar o que estava a acontecer e já o estavam a passar para uma zona quente onde o deitaram, fizeram os testes necessários e o vestiram e aqueceram.
Entretanto eu era cosida (não senti nada, epidural santa!), conversava com o médico e com o T., e ia olhando para trás onde via mexerem no meu menino. Ouvia-se um chorinho, parecia o de um gatinho esfolado.
Quando tudo estava a postos meteram-no ao meu lado, era um ratinho cheio de cabelo a ficar mais seco. Não lhe vi a cara durante algum tempo. Não me conseguia mexer e só lhe via o topo da cabeça. Quando cheguei ao quarto as enfermeiras pediram-me logo para lhe tentar dar de mamar. Assim ele sentiria o meu cheiro e treinava logo o reflexo de sucção; quanto mais cedo melhor. E que reflexo tinha ele! Ao fim do dia já eu tinha os mamilos em ferida... (ninguém nos diz a tortura - literalmente - que é dar de mamar nos primeiros 10 dias... isso dava mais um post só sobre o assunto, mas não quero maçar ou assustar ninguém).

Mas o meu filhote era uma coisa linda e pequenina. Abriu os olhos logo nesse dia. Tinha um ar indefeso e refilão de fome. Ia chorando de vez em quando, ia dormindo, ia estando ao meu lado. Tinha umas mãos e pés grandes e agarrava-nos com força.
Ele era meu, nosso.


Mas apesar do que se lê em livros ou do que se ouve de mulheres que já foram mães e só contam a parte cor-de-rosa, não tive aquela sensação de adoração completa quando olhava para ele, aquela sensação de "ah olhei para ele pela primeira vez e fiquei agarrada para o resto da vida". Acho que as mulheres no geral exageram um bocado nessa parte, de tão perfeito que querem que o momento seja. Quer dizer, acredito que se for um filho muitíssimo desejado e por muito tempo (por exemplo), a sensação ao vê-lo seja essa. Mas de contrário, não nos podemos esquecer de que é um ser estranho, um desconhecido que de repente entra na nossa vida e exige mamar a toda hora, exige atenção e plena (!) dedicação. Mesmo sendo um filho desejado nada nos prepara para o choque de exigências. O amor incondicional pelo nosso filho, o orgulho imenso sempre que ele sorri ou faz alguma gracinha vem com o passar do tempo. Começamos a conhecê-lo e ele a nós. E queremos mais!

O primeiro mês é simplesmente de arrasar... Embora nos digam de antemão o quão cansativo é dar de mamar de 2 em 2h ou 3 em 3h, uma coisa é o que nos contam, outra é o que sentimos quando passamos por ela. E, acreditem, é tãoooo cansativo! Mesmo muito! Porque ninguém se lembra de que isso acontece 24h por dia durante pelo menos 1 par de meses. O não conseguir dormir mais de 2h seguidas tem efeitos terríveis no humor, na percepção das coisas, na lucidez de uma pessoa. Afecta-nos a nós e ao nosso parceiro. Deixamos de ter tempo para nós próprios e para a nossa relação. Existimos exclusivamente para dar atenção áquela criança. E esse dar exclusivo de nós próprios custa muito ao início, principalmente se estamos na casa dos 30 e estivemos 30 e tal anos a ser "egoístas" e a só termos de nos contentar a nós próprios.
Quem disser o contrário parece-me que... se quer enganar a si próprio. Simplesmente tenta camuflar a realidade para "não parecer mal". Mas não quero falar em nome de outras mães. No meu caso foi assim.

O meu filhote ainda teve foi a infelicidade de ter uma infecção urinária (pouco usual em rapazes). Provavelmente estava muito calor e ele desidratou, provavelmente quando ele nasceu eu já tinha uma infecção e passei-a para ele, etc, etc. Nunca o saberei. Ficou apenas a angústia de saber que algo não estava bem com o meu pequenino e de ter custado tanto a diagnosticar o facto. Tinha 15 dias quando tomou o seu primeiro antibiótico. Sentimo-nos tristes, preocupados e impotentes por isso acontecer tão cedo. Mas ficamos felizes de perceber que o bébé começa a recuperar o peso e a fome, e finalmente está a 100%.

O 2º mês começa a trazer alguma luz ao fundo do túnel. Sentimo-nos um bocadinho mais competentes. O bébé começa a comer mais espaçadamente, mas as cólicas aumentam e não sabemos o que fazer com o choro ininterrupto. O bolsar é uma constante... Cheguei a mudar a roupinha dele 3 vezes seguidas!!
Mas começamos a entender melhor o bébé e a consolá-lo quando ele precisa. Começamos a fazer ouvidos moucos às várias vozes que nos "aconselham" a não dar muito colo à criança porque vai ficar "mal habituada". Começamos a perceber que se não dermos mimos e colo nessa altura em que eles tanto precisam, quando vamos dar? Começamos a ver o quão especial é sentirmos que o nosso bébé se acalma com a nossa presença, cheiro e voz. Somos especiais e vitais para ele e isso torna-nos ainda mais protectoras.

Entretanto o bébé vai crescendo e começam os sorrisos. Já não me lembro de quando foi que o Miguel sorriu pela primeira vez, mas sei que foi muito cedo. Desde que nasceu ele sempre foi muito expressivo. E muito "falador". Lembro-me de ele ter 1 mês e à noite não dormir nem por nada, de estar no berço às 3h da manhã, nós a queremos dormir e ele alegremente a dizer "uhhh...uhhhh" com uma vozinha fininha. Apesar de estarmos muito cansados dava imensa vontade de rir. Como é que uma amostra de gente daquelas já mostrava tanta energia?

Tenho vários momentos especiais de que me lembro com ele. Momentos que marcaram a minha licença de maternidade:
O seu primeiro biberon; as suas primeiras fraldas maiores; a vez em que saiu cócó disparado para o meu vestido; os primeiros banhos em que chorava desalmadamente; as vezes em que o acordava à noite para dar o biberon e ele ficava todo zangado (eventualmente deixei de o fazer porque o que ele queria mesmo era dormir e assim estava a estragar um bom hábito); quando o embalava para dormir; quando lhe dava colinho e mimos para o consolar das cólicas; quando às 6h da manhã cantei para ele o Balerina do Elton John (que estava a dar na Oprah) e ele se fartou de sorrir; quando o deitava em cima da cama para lhe mudar a roupa e ele era só sorrisos e sons num dançar de grande excitação...
Tantos momentos...
Parece que passou uma vida. E ainda só passaram 6 meses.

E agora é a locura completa pelo meu bébé lindo. Estou apaixonadíssima por aquele pequeno ser, aquele corpinho lindo, aquelas bochechas fofas, aquelas perninhas michelin, aquele rabinho pequenino, aquela barriguinha que é alvo de tantas beijocas que o fazem soltar gargalhadas. O som das gargalhadas do nosso filho é a coisa que mais ansiamos ouvir. É por elas que fazemos as figuras mais parvas que nunca pensámos vir a fazer.

É mágico quando eles começam a ter percepção das coisas. Quando o vemos reconhecer o livro X daquela prateleira, a começar a ficar excitados quando vêm o seu biberon cheio de leite, quando começam a rebolar no chão, quando começam a querer apanhar objectos, quando chegamos a casa e eles sorriem para nós. Por mais cansados que estejamos, o dia começa sempre bem quando o nosso pequenino nos brinda com um sorriso bem-disposto (mesmo que tenha chorado copiosamente a noite toda). Só queremos é tirá-lo da cama e dar uma belo abracinho áquele ser que gosta tanto de nos ver.

Pela primeira vez na vida somos realmente importantes para alguém (à excepção provavelmente dos nosso pais que sentiram o mesmo que sentimos agora). Alguém que só quer a nossa atenção e mimos. Por causa disso aturamos birras e choros intermináveis que nos deixam a cabeça em papas. Por causa disso esquecemos depressa a exaustão que se instala periodicamente e que nos deixa a chorar, às vezes, a meio do dia e sem aviso.

Nunca pensei que ser mãe fosse tão dificil (e ainda vai a procissão no adro), mas também nunca pensei vir a gostar tanto de o ser. A baba escorre-me e enche litros e litros de bidons. Cada vez mais me sinto inebriada com o meu bébé. Preciso dele. É ele que me dá a maior alegria da minha vida. Já era feliz e estava satisfeita com a vida. Mas agora estou infinitamente mais!
Sou mãe super meiga, super preocupada, super galinha. E rio-me disso tudo porque seja o que for sou mãe da coisa mais fofa do mundo, do ser mais sorridente e vendido que tenho conhecido.
Não me importo que as atenções vão todas para ele, que as prendas de Natal vão todas para ele. Eu já tive esse mesmo tempo de antena, agora é a vez dele. Gosto que os avós o apapariquem, que se babem também com ele.
Vi em primeira mão a alegria que uma criança traz no seio de uma família. Não nos vamos iludir - também traz alguma discórdia, discussões e stress. Mas a alegria é tanta que compensa tudo.

O meu bonequinho já se começa a sentar. Já vai atrás dos objectos que quer. Toca em tudo, quer por tudo à boca, palra muito, irrita-se quando o vestimos e protesta, quase salta de contente quando vê a papa, fica muito curioso quando nos vê falar ao telefone, quer trincar-nos o dedo, adora o banho onde fica calmamente a ser lavado e a tocar na água ou brincar com algum boneco, acorda às 5h30 da manhã a palrar alto e bom som porque já não quer dormir mais.

Enfim... há tanta coisa para dizer mais. Um mundo de coisas que acontecem todos os dias e que são tão especiais. Pequenas grandes coisas. É simplesmente fascinante ver o desenvolver diário de um bébé, do nosso bébé. Acho que aprendemos a apreciar mais as coisas. Aprendemos mais nós com ele do que ao contrário.

Adoro, adoro, adoro! Agradeço às estrelas todas do céu, a Deus, ao destino, ao cosmos, a seja o que for que me permitiu ter um filho. Ainda bem que não desperdicei a oportunidade de ser mãe, de me dar incondicionalmente a um pequeno ser.
Olho agora a vida e as crianças com outros olhos. Quando vejo bébés na rua sorrio e penso mais uma vez no M.. Ele também vive nos outros bébés que vejo. Consigo agora brincar e relacionar-me com crianças. Sem medos. Sem me sentir constrangida. Não sei do que tinha medo.

Ser mãe do M. foi a coisa mais cansativa, que mais preocupações me tem dado, que mais esforço e dedicação tem exigido de mim. Mas tem sido também a que mais alegria e satisfação me tem dado. O cliché de amor incondicional é mesmo verdade. E vai crescendo com o tempo.
Ser mãe do M. foi a melhor coisa que me aconteceu na vida. Vivo e respiro para ter um sorriso dele e lhe passar a mão por aquela cabecita redonda e com algum cabelito.
Obrigada meu duduzinho lindo! :)