quarta-feira, 8 de novembro de 2017

O dia em que o Yon-Yon desapareceu

Já tinha desaparecido mais vezes, mas no máximo um dia, ou uma noite. Nunca 3 dias.
Era o seu amado Yon-Yon, um "dou-dou" com que ele dorme e afaga como O Padrinho afaga o seu gato - calmamente, com tempo, com posse. E sobretudo, neste caso, com muita afeição.

Tem o boneco desde os poucos meses de idade. Foi um dos que lhe comprei quando o via pela câmara do quarto a afagar as próprias mãos enquanto dormitava. A afeição por estes bonecos macios ficou e numa de sou muita esperta claro que fui logo comprar uns 3 iguais ao preferido da altura. Mas no dia em que este apareceu lá em casa... foi amor à primeira vista! É o Yon-Yon pequenino porque tem as orelhas pequeninas, os outros são os grandes porque têm orelhas grandes (são burrinhos, este é um urso).

Ora o Yon-Yon vai para a escola, vai para os nossos passeios, para a cama, para os avós, vai para todo o lado! E eu e o pai sempre com o coração nas mãos para estarmos sempre atentos ao paradeiro do dito. Chego à conclusão que o my precious não são os miúdos, mas sim o bicho, tipo o anel mágico. Sempre que não sabemos dele a reação é NÃOOOOOOOOOOO!

Ora este fim-de-semana ele desapareceu de repente. Chega a hora de dormir e nada de Yon-Yon. Procuramos nos brinquedos, no sofá, por trás das cortinas, na mala, em todos os recantos da casa. Nada. Niente. Népias. Desapareceu!! Lá fizemos o teatro do costume: que tinha ido passear (e ele: "não, não, está cá em casa!"), que amanhã o procurávamos, etc e tal, e ele lá se convenceu que nessa noite dormia com o Yon-Yon grande.

Passou-se um dia e eu caladinha, ai que o Yon-Yon grande é tão giro e quer tanto ir para a escola também etc. Passou esse dia. (ele ainda me disse: não te esqueças de procurar o Yon-Yon mamã)

Passou-se outro dia e eu a pensar: Ah! valente! Nem birras nem nada! És o máximo! Talvez ele já esteja mais crescido e aquilo não lhe faça tanta falta, quiçá vai-se esquecer dele com o tempo...
E ele: mamã, amanhã procuras o Yon-Yon, sim? E eu: sim, sim, eu não me esqueço.

Passou-se ainda mais outro e o rapaz: mamã, não te esqueças de procurar o meu Yon-Yon... amanhã procuras sim? E eu: sim claro, eu vou encontrar (raios partam o bicho, mas onde é que será que ele anda??!! cá de casa não saiu, mas onde está??).

Pois hoje de manhã, num laivo de clarividência, lembro-me de procurar o bicho na pequena lancheira que às vezes levo quando vou sair com os miúdos. E.... ESTAVA LÁ!!!!!! yeahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!! So happy!!! Caneco!! já estava a ver a vida a andar suavemente para trás... E foi ver eu aos saltos de contente quando fui mostrar isso ao pai da criatura, ambos incrédulos! Foi mesmo a tempo. Porque quando fui acordar o rapaz a primeira coisa que ele me disse foi: mamã, amanhã vais procurar o Yon-Yon não vais?
E, que nem herói, lá saco eu o peluche, vitoriosa e inchada que nem um peru!! Já encontrei P.!! Está aqui.

E agora entram as lágrimas...
Mal o viu... ficou tão contente, mas tão contente. Fiquei comovida até às lágrimas. (confesso: chorei mesmo um bocadinho com a reacção dele). Aguentou-se aqueles dias sem choros, sem dramas, sem noites mal dormidas pela insegurança de não ter consigo o seu companheiro de sempre. Mas quando o viu... só dizia: a mamã encontrou! a manhã encontrou!!! e dava abracinhos fortes ao boneco naquele jeito desengonçado e mimocas dos miúdos pequenos. Repetiu o resto do tempo até chegarmos à escola: «a mamã encontrou o Yon-Yon!».

Ai, ai... Yon-Yon por favor não voltes a desaparecer tão cedo que eu não dou para isto.

A todas as mães que perdem os dou-dous... CÓRAGE!!!

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

As Asneiras (Conversas com o M.)

Enquanto estamos os dois na cama, na onda quotidiana dos mimos antes de eu sair do quarto dele:

- Mãe...
- Diz...
- Sabes... há meninos lá na escola que dizem asneiras.
- Ai é? que tipo de asneiras?
- Das feias...
- E tu também dizes?
- Não... Mas sabes, há meninos que dizem uma asneira mesmo muito má.
- Qual?
- Não te posso dizer, é feio...
- Diz sim. À mamã podes dizer o que for. Eu já conheço todas as asneiras do mundo.
- Todas??
- Sim, sim.
- É esta asneira: imagina que eu digo Pata Peta Pita Pota, e depois é Puto no feminino.
(contenho-me para não desatar a rir com o modo de ele contar e se safar ao mesmo tempo ahahahahahaha)
- Ui! Essa é mesmo feia... Nunca digas isso a ninguém, está bem? é mesmo mesmo feia.
- Pois é...

quarta-feira, 26 de abril de 2017

O cansaço

O P. tem 2 anos e meio e, regra geral, sempre dormiu bem. A "noite toda" como costumam dizer. Foi o bendito karma que me deu um filho assim que, ao contrário do primeiro, acordava de hora a hora até ter 1 ano e pouco de idade...
Na altura eu ia rebentando. Foram-se neurónios, a cabeça em papas a toda a hora... Funcionava em modo robótico e com a sensação solitária de que mais ninguém percebia o que eu andava a passar.
Mas o P., como todas as crianças, tem fases... E nas últimas semanas tem variado o seu humor e a sua necessidade de ter a mãe por perto.
Teve há tempos uma infeção urinária chata (ainda estamos à espera de ver se tem refluxo urinário) e andava como nunca o vi... Irritado, a precisar de muita atenção e colo. Depois passou, melhorou.
Agora há dias volta à carga e não sei bem o que se passa. São dentes? é falta de sono? é má disposição da barriga (tem um estômago sensível)? Demora horas a adormecer à noite e não sem a sua querida mãe estar com ele a dar-lhe a mão. As últimas noites têm sido passadas com ele a choramingar e às voltas na cama durante 2h até, nem sei bem como, adormecer. Aliás sei: com alguma choradeira, comigo a dar a mão e muitas festas e depois tentar sair sem que ele dê conta e o cansaço o vença. Depois choraminga aqui e ali durante a noite/madrugada. Depois acorda super cedo, e passa o dia rezingão.
Ontem foi feriado e até foi um dia giro. Não fosse eu estar em estado de exaustão mental. Tive de sair 2h. Fui gastar dinheiro em roupa para mim (para variar) e mesmo assim não foi o relax total, porque tenho sempre horas para ir embora, porque já é hora de almoço, porque são horas de fazer isto ou aquilo. Ando sempre a toque de caixa de algum horário. Mas durante 2h não tive o meu querido P. (desculpa se me queixo de ti amorzinho, mas às vezes não é fácil) angustiado sempre que saio ao pé dele, a querer 10001 colos, a chorar porque quer o que o irmão tem na mão, a chorar porque não se faz o que ele quer, a chorar sei lá bem porquê.
Levo os meus lábios à testa dele 1 ou 2x por dia, sempre a ver se é desta que aparece a senhora febre. Mas ela felizmente tem estado longe. Por isso não percebo a que se deve tanto mau estar. São "só" os terrible two? é mais qualquer coisa?? rezo para ter um momento de clarividência, mas não o tenho.
Mesmo cansada lá fui passear logo de manhã com eles de bicicleta (também não quero perder os momentos divertidos) e lá fomos passear à tarde também. Mas no meu íntimo só sonhava com o meu belo e confortável sofá à noite (sem me lembrar que a estadia no sofá à noite tem sido interrompida com o choramingar constante do P., e que temos de ir lá ter com ele várias vezes, ultimamente).
Espero que isto melhore. Melhora sempre regra geral, mais dia menos dia. Mais semana, menos semana. Eu é que não melhoro da idade, tenho 40 anos, qualquer dia a fazer 41 (como é que isto aconteceu??) e estas andanças de miúdos pequenos tiram-me anos de vidazzzzzzzzzzzzzz......

p.s. agora uma nota cheia de alegria e orgulho: o M. aprendeu a andar de bicicleta sozinho!! agora não quer outra coisa e o P. segue-o! Só querem estar na rua a brincar, é tão giro :)


quinta-feira, 13 de abril de 2017

O primeiro beijo

Não, não foi esse que estão a pensar...
Foi o primeiro beijinho que o P. me deu. Tem 2 anos e meio e nunca me tinha dado um.
É esquivo, se lhe pedimos um abraço ele foge logo e diz "Naaaaaaaa". Abracinhos e mimos é mais quando de manhã ainda está ensonado e o vou buscar; ou quando o visto (também de manhã e quando está distraído a ver a "Patrulha Pata") e aproveito-me e roubo-lhe muitos beijinhos e abraços e festinhas; ou quando estamos no sofá e ele se encosta a nós.
Mas há uns dias o pai conseguiu convencê-lo a dar um beijinho. E ele lá o fez e agora dá-lhe alguns beijinhos porque achamos graça. Até o mano teve direito a um (e não "apenas" um abracinho) quando se foram deitar.
E então, há poucos dias, lá deu à mãe. Uniu os lábios (algo ainda um bocado desajeitado) e lá espetou um sonoro e repenicado beijo na minha bochecha.
Foi bom! Fico à espera de muitos mais embora saiba que nunca baterão o meu record ;)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Descobertas de 2017

Acho que o que pretendo para 2017 a nível pessoal é ter tempo para mim. Arranjar tempo, nos dias que parecem acabar cedo de mais, para mim, seja a fazer exercício físico, seja ir fazer umas massagens, seja ir passear só com o marido, seja sair só com os amigos.

E neste registo, nem de propósito, descobri este site que vou explorar e ler com interesse.

http://www.sandramatos.net/2016/06/21/sou-mae-nao-tenho-tempo-nem-para-cuidar-de-mim/

Coisas da minha vida já em 2017

E o ano de 2017 já começou comigo a querer mudar muita coisa na minha vida laboral. Mas a querer sobretudo manter-me positiva e pensar que estou bem e que no geral só tenho motivos para sorrir.
O M. ficou ontem sem mais um dente (e já vão 2, e mais alguns a abanar) e, ultimamente, ao fim de semana, tem voltado de manhã a aninhar-se um bocado na cama dos pais antes de nos levantarmos todos para tomar o pequeno-almoço. Fico ali agarradinha aquele corpinho cada vez mais crescido. Ele abraça-me também, no mimo, e diz algumas vezes numa voz bem melosa: mamã... Ficamos ali a descansar mais um bocado. Derreto.
O momento do mimo do P. é quando acorda passado um bocado (acaba por ser quem dorme mais naquela casa) e toma o leite (biberão ainda), ainda de pijama, na cama dos pais (um hábito que está difícil de contornar, e que vou adiando, porque durante os dias de trabalho me despacho mais depressa assim do que a passar por cima de birras quando o quero por a beber leite na mesa da cozinha).
De resto, o ano começou com um check na minha lista: retomar o ginásio! Já fui a uma aula, fiz coisas bem leves (e nessa noite parecia que tinha levado uma tareia... estou mesmo em baixo de forma!). Agora é manter a regularidade (esse é que vai ser o grande desafio). Mas fiquei contente com o meu esforço, com o avançar finalmente da actividade física. Um pequeno passado para as pessoas, um grande passo para mim. Ultrapassei a inércia!
Venham mais mudanças e coisas boas em 2017!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Os 2 anos do P.

E aqui vai a minha carta de namoro ao safadolas do P.

Meu fofinho lindo,

És um pequeno furacão que entrou nas nossas vidas que tanto nos faz rir e deliciar. Quando nasceste eras um pequeno ser doce e perfeitinho. Desde cedo que ficámos deliciados com os teus longos sonos nocturnos, mas cedo percebemos que dormires durante um dia era um desafio. Aliás desafio é a perfeita palavra que te define agora. As tua ação constante e determinada é um desafio para nós. As tuas birras e os teus nãos rotundos são um desafio. Quando te atiras para o chão zangado ou quando atiras com as coisas para o chão, zangado também, ando ali dividida entre o dar-te umas boas palmadas, o revirar os olhos e o rir-me do incrível que aquilo é. Desafias-nos a toda a hora. Porque não queres isto ou aquilo, porque agora adoras dizer "Nãoooooo mamãaaaaaaa", porque és refilão como tudo, com génio, mas ao mesmo tempo só queres é brincadeira e atenção.

Já percebes que se estou na cozinha a preparar o jantar não estou contigo a brincar e chamas-me a toda a hora "pá xala mamã". A tua brincadeira favorita na sala é esconderes-te atrás das cortinas (que são semi-transparentes ahahahahaah) ou atrás do cadeirão, fingirmos que não te estamos a ver e irmos à tua procura. Ultimamente anda fã de um velho puzzle do Noddi que encontrei algures no meio dos brinquedos do teus irmão. Fazes aquilo a toda a hora e queres que o façamos contigo vezes sem conta.

Se te chamamos para um beijinho ou abraço foges logo a correr naquele teu jeito de boneco desengonçado "Nãooooooooooooooooooooooo". Irritas-te imenso com o teu irmão sempre que este insiste em te tirar a bola ou algum brinquedo favorito. Ele ri-se e tu choras, mas se ele não está por perto começas logo a chamar por ele "Yôyôooo!!". Ultimamente dou por ti a dares-lhe chapadas só porque sim. Volta e meia apanhas de volta (tens sorte porque tens um irmão bem pacífico), mas dou por mim a pensar como será daqui a 2 anos e andarem à chapada a sério...

Adoras ver TV e, embora inicialmente fosses fixado pelo Pocoyo e pelo Panda, agora já te rendeste aos "Ninjaaaaaaaaassss" que o teu irmão adora. Quantas vezes dou, antes de jantar, com vocês os 2, sentados e caladinhos no sofá, muito concentrados nos Ninjago? No entanto, reparei há tempos que ficavas com medo de algumas imagens que vias e chegaste a ter pesadelos à noite, o que nos lembrou que ainda és um bebé que tem medos e que se estão agora a revelar. Ou seja, para grande desgraça do mano, esses bonecos ficaram vetados na tua presença.

Fazes tudo o que o teu irmão faz. Se ele sai do sofá para se deitar no chão, tu fazes o mesmo. Se ele se rebola no chão, tu rebolas. Se ele bebe água, também queres beber. Se ele grita e faz parvoíces, tu idem. Se te visto uma camisa, o nome dele vem à baila, porque ele também tem camisas. Estás um macaquinho de imitação perfeito e só me apetece esmagar-te de amor quando vejo o quanto estás a desenvolver-te.

Ah e tudo é teu. O brinquedo que o teu irmão decidiu ter na mão na altura, é teu. Vais a correr imediatamente ter com ele porque também queres segurar na espada, ou no boneco, ou na bola, ou no que for... E choras arreliado "é meuuuu, é meuuuuuu". Agora já te saem uns apelos no meio "mamããã, é meuuuuu! a ver se tens razão.

Acordas quase sempre bem disposto, mas se te trocam as rotinas é birra da grossa, daquelas de me fazer ficar com a cabeça em papas o resto do dia. Ainda continuas com o mimo matinal de beber leite de biberão no colo da mamã (eu a segurar o biberão enquanto tu afagas os teus amados peluches!). Bem sei que já é altura de largar o biberão, mas adoro o mimo e de manhã é o modo mais rápido de te despachar a comida.

És comilão, mas se decides que não queres comer isto ou aquilo não há nada que te faça mover. Fechas a boca, ou só deixas ver a língua e não há quem te empurre nada para baixo. Mas quando gostas...venha mais!

No outro dia fomos todos ver o musical "A Pequena Sereia". Já em casa perguntei-te "P., onde está a sereia?". Respondeste "Foixembora" com o ar mais inocente do mundo.

Venham muitos e muitos anos para eu te acompanhar, proteger, mimar e guiar o melhor que puder.

Adoro-te bochechas!